Nosso Lar’ visto por lentes estrangeiras

Enviado por Rodrigo Fonseca

03.09.2010 – 08h00m

‘Nosso Lar’ visto por lentes estrangeiras


Sobrenatural, um termo pertinente ao longa-metragem “Nosso Lar”, que estreia nesta sexta-feira com 400 cópias, costuma ser empregado em relação a seu diretor de fotografia, o suíço Ueli Steiger, por dois aspectos radicalmente diversos: a) a exuberância visual que virou marca de seu trabalho; b) a feijoada que ele aprendeu a cozinhar no Brasil.

— Não sei se o meu feijão fica tão bom assim. Mas eu aprendi a misturar os elementos certos — diz Ueli, fotógrafo de sucessos de bilheteria de Hollywood como “O dia depois de amanhã” (2004) e “Austin Powers, o agente ‘Bond’ cama” (1999).

Steiger está no Rio para o lançamento do filme baseado no best-seller psicografado por Chico Xavier, candidato a blockbuster nacional da vez.

— Eu não sou muito religioso. E, embora o espiritismo seja popular na Suíça, sua popularidade lá não se compara à fé brasileira. Tratei “Nosso Lar” como se fosse uma ficção científica, fugindo do formato de filme bíblico. É um longa de época, narrado sob a ótica dos anos 30, 40 — ele conta.

Ueli se refere ao período histórico atribuído à morte do protagonista de “Nosso Lar”, o médico André Luiz, interpretado por Renato Prieto, ator que já vendeu 5,5 milhões de ingressos em peças de temática espírita. Na produção de US$ 10 milhões dirigida por Wagner de Assis, André vai para uma outra dimensão ao morrer e lá é obrigado a se redimir de seus erros terrenos, após purgar uma temporada de sofrimentos.

— Trouxe uma equipe pequena, formada pelos técnicos Reid Russell, Scott Drinon e Joe Sanchez, com quem trabalho desde que comecei profissionalmente. Nossa ideia era sempre buscar um tipo de imagem que remetesse ao passado, embora tudo o que aconteça no plano místico chamado Nosso Lar pareça estar sempre à frente da Terra. Filmamos muito no Rio, mas rodamos uma parte em Brasília, cuja arquitetura sempre me atraiu — diz Ueli, que já havia filmado antes em território brasileiro.

Ele assinou a fotografia de “Do começo ao fim” (2009), no qual Aluízio Abranches narra o romance gay entre dois irmãos.

— Ueli e eu estudamos juntos na London Film School e, há tempos, a gente se falava atrás de uma chance de trabalhar junto. “Do começo ao fim” precisava do tipo de beleza que ele é capaz de oferecer a um filme — diz Abranches.

Revelado no fim dos anos 80 ao clicar atores como Jennifer Connelly, Kiefer Sutherland e Meg Ryan em “Terra prometida” e “Some girls”, ambos dirigidos por Michael Hoffman, Ueli trabalhou em cults como “Vida de solteiro” (1992) antes de se tornar o fotógrafo de estimação do cineasta alemão Roland Emmerich, midas do cinema-catástrofe. A parceria deles começou em “Godzilla”, lançado em 1998.

— Fizemos “O dia depois de amanhã” e “10.000 a.C” (2008), mas não pude entrar no projeto mais autoral dele, o drama “Anonymous”, que acaba de ser rodado — diz Ueli. — Tenho visto uma safra sul-americana forte. Torci para que “Salve geral” concorresse ao Oscar, mas não deu. Que bom que um filme do continente, o ótimo “O segredo dos seus olhos”, tenha saído vitorioso.

Anúncios

1 comentário

  1. Maria Lucia Baptista da Silva disse:

    Nosso Lar, tem uma grande produção, merecidamente irá percorrer outros paízes, mostrando a beleza dessa linda colonia espiritual….Parabéns mais uma vez por essa luz!

    Curtir

Os comentários estão encerrados.