Entrevista de Renato Prieto a Marina Lopes

sábado, 12 de março de 2011

A Morte Com Humor

Por Marina Lopes

renato prieto

Protagonista do filme “Nosso Lar”, Prieto nos faz refletir sobre um tema que aterroriza a maioria das pessoas: A Morte, com a peça ” A Morte é Uma Piada“.
O espetáculo está em cartaz no Teatro Frei Caneca ás 16:00hs dia 12 de março. Domingo dia 13 ás 19:30h no Teatro Nelson Lobo de Barros. Os ingresos estão no valor de R$ 40,00. Ingressos antecipados R$ 20,00.
Imaginemos aquelas pessoas que acreditam que morrer é o fim. Ou aquelas que pensam que a morte é a solução para tudo, e ao abrirem os olhos percebem que ainda permanecem vivos. Enfim, agora vamos imaginar essas pessoas se dando conta de que a morte é uma piada.
A peça “A morte é uma piada”, uma comédia musical, traz a questão sobre o motivo pelo qual estamos fazendo aqui na terra, e o que acontece depois da morte.
Renato Prieto me concedeu uma entrevista, onde podê nos esclarecer mais sobre a peça em questão:

(Marina) – De onde veio a ideia do título “A morte é uma piada”? E o que a peça transmite ao público?
(Renato) –O título é para você vê ele ao contrário, se você acredita que a vida continua é porque a morte é uma piada. Essa é a ideia, entendeu, não é “a Morte é uma piada”, é uma afirmação que, a morte é uma piada. Não acredito que tudo acaba por aqui, não acredito que você morre e acaba. Se disserem pra você que tudo acaba aqui é mentira, a morte é uma piada porque a vida continua. Essa é a ideia de misturar um pouco de humor com reflexão.

(Marina) – De onde veio a inspiração de fazer esta peça? Quem teve a ideia de fazê-la?
(Renato) –Na realidade têm sempre uma pessoa que escreve para eu fazer, que é o Cyrano Rosalém, e aí a gente conversa as discussões e ele pergunta: “O que você quer fazer agora?” Ai eu digo, “Há quero fazer espetáculo de humor de reflexão, acabei de fazer um filme e o filme puxou muito por mim, então quero fazer uma coisa mais relax mais tranqüila”. Então ele planeja os espetáculos nestes moldes e começa a escrever e a chegar ao formato do espetáculo de agora no teatro.

(Marina) – Qual a sensação de trazer o tema como a morte aos palcos?
(Renato) – É tranqüilo, porque eu já tenho uma história, e o público já aparece muito no teatro. E eu já faço teatro há muitos anos, então, não tenho muito problema. Eu acho que as pessoas sempre querem saber o que é que ele está fazendo de novo. “Que é isso?”. As pessoas têm curiosidade de ver, e então o público comparece aqui. Não é um teste, digamos assim, não é um risco, não é eu me atirar sem ter uma rede de proteção. Eu me atiro sabendo mais ou menos aonde que eu vou cair, então o público aceita, as pessoas vão por curiosidade, pra saber do assunto. As pessoas vão muito ao teatro por isso.

(Marina) – Em algum momento da peça há a participação da platéia?
(Renato) – Sim. O tempo todo há interação com a platéia, e inclusive tem duas atrizes no palco que atuam comigo, então dá pra você conversar com a platéia, contar umas histórias, dá pra fazer de tudo, é um espetáculo aberto, tranquilo.

(Marina) – Você também canta neste musical? Como ator você se considera bom cantor?
(Renato) – Os três cantam. Eu acho que como cantor eu sou um bom ator, eu sou um ator que canta, eu não sou um cantor que atua, o que é diferente. O cantor que atua é totalmente diferente do ator que canta. Eu canto como ator, então eu canto atuando, então eu jogo muito mais com a atuação. Claro que eu tenho a voz trabalhada, faço aulas de voz há muitos anos com o grande mestre que se chama José Inpin. Mas eu tenho a voz trabalhada, então eu não tenho problema de cantar porque trabalho a voz há muitos anos, eu sempre me posiciono como um ator que canta que é totalmente diferente do cantor. Eu acho que o cantor é muito mais a estética da voz, já por outro lado o ator tem a vantagem de atuar, então ele tem esse jogo no palco de poder trabalhar em cima dos instrumentos que ele tem em cima que é o ato de atuar, acho que ele impressiona pela atuação, entendeu.

(Marina) – Como foram feitas as escolhas das músicas?
(Renato) – Em cima do tema: Milton Nascimento, Roberto Carlos. “Milton Nascimento:” Mande notícias do mundo de lá, diz quem fica “(…)”. Roberto Carlos com a música “É Preciso saber viver”, Nelson Cavaquinho “ Sei que amanhã vou morrer e meus amigos vão dizer que eu tinha um bom coração”. São músicas que estão dentro do tema, então não são músicas isoladas, são músicas que fazem parte do contexto do espetáculo.

(Marina) – Esta peça seria um gênero comédia musical?
(Renato) – Eu acho que seria um gênero humor musicado, com temática espírita.

(Marina) – Então a peça seria um modo simplificado de explicar para onde vamos após a morte?
(Renato) – Eu acho que é uma forma de você dizer pro outro que é tudo muito simples, que as pessoas complicam muito as coisas e não deveriam complicar, deveriam simplificar. Quanto mais você tenta justificar a vida, a forma de viver, tudo fica mais fácil, é uma maneira de dizer pro outro “Veja, viver é simples, é ir e vir quantas vezes forem necessário”. Então não tem que fazer disso um mecanismo de preocupações, é assim que a vida funciona, você vai e volta, volta vai, é simples. No teatro há a possibilidade de você dizer para o outro, como no meu caso, o teatro com temática espírita, uma forma de dizer pro outro que viver é simples, fazer as coisas é simples. Seja simples. Quando você é simples tudo fica mais fácil.

(Marina) – Você pensa em fazer mais algum filme ou até mesmo dirigir o seu próprio?
(Renato) – Não. A minha vida é fazer aquilo que eu faço, eu atuo, sou um profissional vou trabalhar em muitas outras coisas, mas sempre naquilo que eu achar interessante que possa modificar a pessoa para melhor. Então tenho certeza que sim, novos filmes, minisséries, teatro, muito. Mas eu só faço trabalhos ou teatro, temas ou espetáculos ou personagens que eu acho que aquilo pode modificar o outro pra me entender melhor. Atuar pelo simples fato de atuar por troca de moeda, como fazer um comercial para um produto que eu não acredito eu não faço, algum espetáculo que eu não acredito eu não faço. Eu só procuro fazer coisas que realmente acredito naquilo que estou vivendo e que fará com que aqulio faça o outro a viver melhor.

(Marina) – Você Renato, já sentiu em algum momento medo da morte?
Eu acho que todo mundo tem. Eu acho que não é medo, eu acho que é até que ponto você está preparado para . “Como será?”
As pessoas vão de várias formas: Doenças, acidentes; como teve agora esta tsunami no Japão; A chuva que veio lá de Teresópolis para o Subúrbio que foram mais de 70 pessoas. Eu acho que é mais assim, até que ponto eu estou preparado. Medo, medo não, eu acho que vou estar tranqüilo no sentido de que eu procuro cumprir a minha parte, procuro ser um cara legal, bacana, não para os outros para mim mesmo, eu não estou preocupado em me exibir pra ninguém e nem me mostrar para Deus, ou “olha pra mim veja como eu sou legal”, não. Eu sou preocupado em viver em paz comigo, então é aquela coisa de, faça ao outro aquilo que você gostaria que ele fizesse, ou você amar ao próximo como a si mesmo,então assim, você tem que saber amar, se eu não souber me amar me respeitar os meus limites, eu não vou saber fazer o bem para o outro, só pode se fazer para o outro aquilo que fizer bem para você, então eu não tenho a necessidade de me exibir para ninguém, é simples né, as pessoas , por exemplo, se deparam comigo ou se comunicam comigo. Você falou comigo e está aqui falando comigo, qualquer pessoa que fala comigo fala comigo. É claro que eu não tenho tempo disponível, estar à disposição a qualquer hora, mas assim, nunca ninguém entrou para falar comigo sejam por caminhos de telefone, por e-mail seja por imprensa, seja o que for que ela não vá conseguir falar, eu não posso ás 16 h, mas eu posso ás 18:00 h, eu não posso sábado mas posso domingo, eu não posso segunda mas posso terça, então assim eu acho que eu sou fora do esquema do estado físico, “né”, daquela coisa eu sou estrela e você não é ninguém. Eu não trabalho desta maneira, eu não vejo desta maneira, eu acho que este é o meu trabalho, minha profissão, e este é o seu trabalho e sua profissão, um precisa do outro, então vamos encaixar nossos horários e resolve. Então eu simplifico as coisas, eu prefiro dedicar um jeito simples. Mas eu espero honestamente, se eu pudesse escolher eu gostaria de sair daqui instantaneamente (risos), do que ter que ficar meses doente em uma cama… Eu não sei, mas assim nunca me encontrei com medo de nada, mesmo porque o medo não é um bom conselheiro, como eu não acho que o medo seja um bom conselheiro procuro não criar medo, eu procuro me trabalhar para não ter medos. Eu acho que todo mundo deve se preparar, porque querendo ou não querendo todo mundo vai ter que ir embora um dia.Então é melhor se preparar. Pego o cartão estou fazendo a minha parte. (risos)

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(Renato) –

 

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