O ATOR RENATO PRIETO AFIRMA QUE PELOTENSES RIRÃO DA MORTE!


Entrevista de Renato Prieto a Ivomar Schüler da Costa Administrador

. IVOMAR: Como descobriste que querias ser
ator?

RENATO PRIETO: Não consigo imaginar outra forma de expressão para
esta minha jornada. Sempre, por todo o sempre, quis fazer as coisas
exatamente assim. Representar é a minha maneira de expressar minhas
idéias e ajudar o próximo.

IVOMAR: A carreira de diretor de teatro surgiu antes ou depois da
de ator?

RENATO PRIETO: … junto. Gosto de dirigir. Procuro não misturar as
coisas, mas no inicio foi mais para ter uma outra forma de
expressão… e algum ganho extra.

IVOMAR: Sabemos que montar um espetáculo e apresentá-lo em vários
lugares do Brasil custa caro. Nos anos oitenta a maioria das empresas
esquivava-se de patrocinar espetáculos espíritas, por acharem que
iriam comprometer suas marcas e se indispor com a maioria católica.
Como está hoje esta situação? É mais fácil conseguir patrocínio?

RENATO PRIETO: Cheguei aqui com a ajuda do público, dos amigos
espirituais e dos amigos encarnados; sempre encaminhei os projetos
para as leis… sempre foram aprovados e nunca consegui captar (os
recursos), mas continuo e continuarei tentando.

IVOMAR: No teu ponto de vista, qual é a importância da arte para
a educação do espírito?

RENATO PRIETO: …importância total! A Espiritualidade sempre nos
diz que a evolução dos espíritos no terceiro milênio será por via
da arte. Estou fazendo a minha parte e tentando contribuir.

IVOMAR: Na tua visão, a arte-educação teria algum lugar no centro
ou no movimento espírita?

RENATO PRIETO: No Centro e fora dele. A arte ajuda, modifica, molda,
faz o espírito sonhar e voar mais alto; sensibiliza sempre, emociona
sempre, e faz refletir muito.

IVOMAR: Certa vez Angel Aguarod, nascido na Espanha e depois
emigrado para o Brasil, que foi um ativista político, professor e
intelectual espírita, tendo participado inclusive da fundação da
Federação Espírita do RS, comunicou-se por intermédio de uma
médium pelotense. Ele fez uma comparação, dizendo que a arte
exerceria o papel dos “batedores” das comitivas oficiais, que iria
abrindo caminho na multidão para a passagem das autoridades, querendo
dizer com isso que a função da arte seria nos sensibilizar, para que
depois a razão atuasse. Pela sua experiência, a arte espírita
realmente atinge este resultado?

RENATO PRIETO: Certo ele. Atinge sim, e muito. Um numero muito
grande de pessoas se tornaram espíritas depois de um espetáculo, ou
livro, ou filme. A arte é a maior mola, a mola-mestra para os grandes
resultados.

IVOMAR: Kardec, tanto na Revista Espírita quanto em “O Livro dos
Médiuns” cita casos de médiuns que declararam ter vistos
espíritos participando ativamente nas representações teatrais. Uns
ajudavam e outros atrapalhavam. Alguma vez sentistes de maneira muito
intensa a presença de espíritos durante as tuas atuações?

RENATO PRIETO: …presença sempre, e eu sempre aprendendo com eles.
Atrapalhar (???), honestamente até hoje não. Se eles tentaram a
misericórdia divina me poupou. E espero que continue assim, seja de
encarnados ou desencarnados.

IVOMAR: Concordas com o autor espírita Nazareno Tourinho quando,
no livro “Dramaturgia Espírita”, ele afirma que uma peça teatral
somente poderá ser considerada espírita quando o céu tema central
for um dos princípios espíritas?

RENATO PRIETO: O Espiritismo quer contribuir para a formação do
caráter e evolução de todos, então o que importa é um bom texto e
uma boa mensagem, que responda, que conforte!

IVOMAR: O professor Leopoldo Machado, do RJ, na sua época foi um
dos primeiros e mais corajosos entusiastas da arte e,
particularmente, do teatro espírita. Ele era um intelectual e uma
pessoa muito lúcida. No entanto, teve que enfrentar o preconceito dos
meios espíritas contra a arte. Esse preconceito também esteve
presente nos anos oitenta, em Pelotas, quando um grupo espírita de
teatro formado predominantemente por jovens, O GAEE (Grupo de Arte
Expressão Espírita), começou a realizar um intenso e interessante
trabalho, pois alguns líderes do movimento trabalharam para a
extinção do grupo. Pode-se dizer que atualmente este preconceito foi
extinto em nosso movimento ou ainda sobrevive de alguma forma?

RENATO PRIETO: Não dei e nem darei a menor importância para
aqueles que não tragam uma contribuição, algo construtivo… Se a
pessoa tem preconceitos, acho que a deve procurar ajuda terapêutica.
Preconceito é um desvio. Em alguns é uma doença. A pessoa deve
procurar um bom profissional, que a ajude a se livrar dessa desta
chaga.

IVOMAR: Hoje, na tua maneira de ver, existe o apoio explicito e
decidido tanto das lideranças intelectuais, mediúnicas e
organizacionais, quanto das chamadas instituições de unificação,
à arte espírita de forma geral, e ao teatro especificamente?

RENATO PRIETO: Sempre fui muito ajudado por uma grande quantidade de
pessoas. Se dois ou três não compreendem… Eles chegarão lá. Cada
um chegará quando for a hora.

IVOMAR: Quando o teatro espírita começou a se destacar, sem
dúvida em parte devido ao teu trabalho, havia uma grande questão.
Era saber se o dinheiro arrecadado deveria ficar com aqueles que
trabalharam na peça e pela peça, ou deveria ser doado a uma
instituição assistencial. Esse dilema já foi vencido?

RENATO PRIETO: Faço muitas apresentações beneficientes. Agora,
como posso fazer uma apresentação desta, num outro Estado, que não
o meu, sem que as pessoas assumam todos os gastos com passagens,
hotel, alimentação. É preciso usar o bom senso. Não deve ficar
nem com um nem com outro. Que sejam irmãos e dividam, de igual…

IVOMAR: Kardec, em “Obras Póstumas” afirma que a todo grande
movimento do pensamento corresponde um movimento nas artes. O que
pensas sobre isso?

RENATO PRIETO: Kardec se mostra sempre muito sábio…To chegando
agora, tentando compreender, e levar adiante as suas belas idéias.

IVOMAR: Sabemos por intermédio da literatura mediúnica que muitos
dos melhores momentos da humanidade, como a renascença, por
exemplo, quando a arte clássica ressurgiu, foram planos executados
através da encarnação em massa de espíritos adredemente
preparados? Será isso uma demonstração do poder da arte para
transformar a humanidade?

RENATO PRIETO: Os artistas sempre foram, ao longo dos séculos,
grandes agentes transformadores. A arte quando bem compreendida e
executada com compreensão e amor ajuda a muitos, inclusive ao
próprio artista.

IVOMAR: Acreditas que atualmente estejam reencarnando grupos de
espíritos com o objetivo de trabalhar pela regeneração do mundo por
intermédio das artes?

RENATO PRIETO: Não tenho dúvidas, a maioria já está encarnada ou
está chegando, sob o comando do plano espiritual; cada um fazendo a
sua parte.

IVOMAR: Na minha opinião, os pintores do início do Século XVII,
Rubens, Velasquez e Rembrandt representam o exemplo do esforço para
trazer as aspirações espirituais ao cotidiano das pessoas e da vida
política das nações. Segundo alguns historiadores, eles tinham um
nítido propósito moral ao elaborarem suas obras. Rubens pintou o
famoso quadro “Os Horrores da Guerra”, para mostrar visualmente as
atrocidades cometidas, que naquela época eram apenas descritas.
Diego Velasquez pintou o quadro “A rendição de Breda”, no qual
mostra o Marquês de Spinola, numa maneira gentil, compassiva, quase
amigável, devolvendo a espada governador holandês da fortaleza
derrotada. Ele queria, com essa obra, desenvolver o sentimento de
polidez nas guerras, do tratamento respeitoso aos inimigos logo que
terminada a batalha; seu objetivo era estimular a delimitação da
barbárie somente aos momentos do combate. Rembrandt, entre inúmeras
obras, pintou “Cristo em Emaús” e “O Bom Samaritano”, que
inspiram à caridade. O mesmo podemos dizer sobre a literatura deste
período. Na dramaturgia e no teatro Moliere começou a introduzir
estes elementos éticos. De fato, alguns progressos neste sentido
realmente aconteceram posteriormente. De acordo com esse entendimento,
será a arte um instrumento poderoso para conduzir o homem a uma
vivência mais ética?

RENATO PRIETO: Alguns artistas se perdem no caminho fácil da
fama…(isto porque) ainda não compreenderam quais as suas
verdadeiras tarefas neste plano. A arte é o instrumento mais poderoso
que pode permear a todos nós para um mundo melhor, em todos os
níveis.

SUGESTÃO: a frase ficou meio difícil truncada e coloca a arte como
instrumento absoluto. Poderíamos colocar assim: A arte é um poderoso
instrumento para nos conduzir, a todos, a um mundo melhor, em todos os
níveis.

IVOMAR: O conceito de civilização tem diversos significados. Para
os cientistas políticos ela surge quando os homens estabelecem leis
para sua convivência, organizam o poder, e assim surge o Estado; para
os geógrafos ela surge com o nascimento das cidades. Terá o teatro
contribuído, no passado, e o cinema na atualidade, para a
ampliação da civilização?

RENATO PRIETO: A História das civilizações também se conta pelo
caminho e evolução da arte. Tudo registrado de várias formas e
manifestações.

SUGESTÃO: Acho que esta última afirmação ficaria melhor se
colocássemos: através dos registros históricos das manifestações
artísticas é possível ver a evolução da humanidade.

IVOMAR: Até há alguns anos atrás era comum grupos de seguidores
de certas denominações religiosas atacarem fisicamente palestrantes,
ou procurarem fazer muito barulho com a intenção de atrapalhar.
Naturalmente, estas pessoas pensavam estar defendendo a sua fé, ou
lutando contra o demônio. Em alguma cidade desse imenso país alguma
vez sofreste algum desses ataques, que tenham prejudicado de alguma
forma a apresentação?

RENATO PRIETO: Prejudicado nunca…um trabalhador a serviço das
boas causas não seria abandonado pelos mentores e piedosos amigos. E
nunca dei importância a agressões ou calúnias. Prefiro ouvir os
bons conselhos e me recarregar de coragem e incentivo.

IVOMAR: Tens algum relato de pessoas que, sendo profitentes das
novas igrejas pentecostais e neo-pentecostais, assistiram algumas das
peças espíritas em que atuaste, tenham mudado de opinião sobre o
Espiritismo?

RENATO PRIETO: Eles estão sempre na platéia, escondidos,
anônimos, mas estão lá!

IVOMAR: Do que trata a peça “A Morte é Uma Piada”?

RENATO PRIETO: Simples…Se você acredita que a vida continua, a
morte é uma piada… humor, reflexão.

IVOMAR: As atrizes que contracenam contigo também são espíritas?

RENATO PRIETO: Trabalho e gosto de conviver com pessoas de todos os
segmentos. Para mim o que importa é o exemplo, o comportamento.
Sempre respeito as escolhas das pessoas.

IVOMAR: O que dirias para aqueles que desejam seguir uma carreira
artística e ao mesmo tempo trabalhar pelo Espiritismo.

RENATO PRIETO: Estudar e se preparar para esta profissão, que para
mim é uma devoção.

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